sábado, 3 de novembro de 2012

Produtividade no trabalho vs. exercício físico

Falo por experiência própria. Estou com mais energia e, consequentemente, sou mais produtiva e estou mais motivada no trabalho nos dias em que faço desporto.



Porquê que isto acontece?
Como referido no estudo de Wattles, “as possíveis explicações incluem uma redução na fadiga física devido a um aumento da capacidade de trabalho, redução de doenças, aborrecimento, ansiedade e agressividade (Shepard et al)”.
O estudo conclui que a força muscular medida, prevê a produtividade no trabalho. Quanto maior a força muscular dos trabalhadores, mais produtivos eles sentiam-se no trabalho. Isto porque (uma das explicações), o aumento da força muscular permite aos indivíduos desempenhar tarefas com menos stress fisiológico.
Os trabalhadores que têm mais força muscular não se sentem tão fisicamente sobrecarregados como os trabalhadores com níveis mais baixos de força, o que os faz percepcionar o trabalho como menos exigente, contribuindo para os seus sentimentos de maior produtividade.

Este estudo ainda realça, que de acordo com Bernacki, a estratégia das empresas deveria passar por atrair e reter trabalhadores que fazem exercício físico de modo a construir um conjunto de trabalhadores com baixos níveis de absentismo e altos níveis de desempenho. Esta estratégia dá muito que falar/discutir (que pode ficar para um outro post)…

Por outro lado, após o exercício físico há a libertação de endorfinas que provocam uma série de resultados positivos:
- Melhoram a memória
- Melhoram o estado de espírito (bom humor)
- Aumentam a resistência
- Aumentam a disposição física e mental
- Melhoram o nosso sistema imunitário
- Evitam as lesões dos vasos sanguíneos
- Têm um efeito anti-envelhecimento
- Aliviam as dores.


Face a esta informação: 
Porque é importante os Programas de Wellness nas empresas?
As organizações que promovem a saúde e o bem-estar têm 3.5 mais probabilidade do que outros para incentivar a criatividade e a inovação.
Estudos comprovam uma ligação directa entre estes programas e um(a) maior:
- envolvimento dos trabalhadores;
- satisfação no trabalho;
- produtividade dos trabalhadores;
 - diminuição no absentismo;
- retenção de talento.

Como se processam estes Programas de Wellness?
Estes programas nem sempre significam instalar um ginásio na organização. Estes programas cobrem todo um conjunto de variáveis, que vai desde a alimentação aos hábitos de cada trabalhador. A participação dos trabalhadores na constituição dos programas é crucial (recolha de ideias – brainstorming), pois quanto mais os envolvemos, maior a probabilidade deles participarem no programa.
1. É realizado um levantamento das necessidades dos trabalhadores através de um questionário que recolhe informação acerca do estilo de vida (hábitos) e identifica factores de risco. Podemos também incluir no questionário todas as possíveis iniciativas do programa e pedir aos trabalhadores para as avaliarem numa escala (por exemplo: 1 a 5).
2. Desenhar o programa com base no questionário. Tornar o programa interessante incluindo “corridas”, “desafios”, “equipas”, etc. É importante criar um ambiente que possa suportar tais iniciativas e promover a mudança.
3. É importante que o management também esteja alinhado e envolvido com as iniciativas, de modo também a dar o exemplo aos trabalhadores.
4. Aplicar o programa.
5. Avaliar o programa. Por exemplo, através de KPI’s (Key Performance Indicators) ou avaliar a satisfação dos trabalhadores face a estas iniciativas.



Até que ponto as empresas promovem este tipo de iniciativas?
Até que ponto não seria mais económico investir nestas iniciativas?


Wattles, M. & Harris, C. (2003) The Relationship between fitness levels and employee's perceived productivity, job satisfaction and absenteeism. Journal of Exercise Physiology (Vol.6, Number 1). 24-32.
Society for Human Resource Management
Inc.